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terça-feira, dezembro 29

Presidente da maior empresa de shoppings do Brasil

Gosto de histórias de empreendedores que construíram pequenos impérios do nada. Este sujeito abaixo encaixa-se neste perfil. A reportagem é simples, mas tem lições interessantes. Da Exame, dia 28/12.


Para Multiplan, é hora de apostar na classe C

Presidente da maior empresa de shoppings do Brasil em faturamento diz que vai construir 4 novos empreendimentos e que as classes A e B já não são o foco

Ao longo dos últimos 34 anos, José Isaac Peres construiu a maior administradora de shopping centers do Brasil em faturamento e rentabilidade por metro quadrado, a Multiplan. A empresa tem um valor de mercado de 5,6 bilhões de reais e administra 13 shopping centers próprios, incluindo o ShoppingMorumbi (São Paulo), o BarraShopping (Rio de Janeiro) e o BHShopping (Belo Horizonte. Na época em que foram construídos, esses empreendimentos estavam localizados em áreas pouco habitadas das três cidades - mas que hoje se transformaram em centros de riqueza, impulsionando as vendas. Nessa entrevista aos gestores da Rio Bravo Investimentos, o fundador e presidente da Multiplan diz ter uma ótima intuição para o negócio de shoppings, que, segundo, ele é "mais arte do que engenho". "Tem que olhar para o local e dizer: 'Este serve ou este não serve'."

Peres também afirma que trabalha para cumprir a promessa de dobrar a companhia em cinco anos feita a investidores em 2007, durante o road show para sua oferta inicial de ações. Apesar de ter um portfólio de shoppings mais voltado para as classes A e B, sua intuição agora diz que é hora de olhar para a classe C. A Multiplan planeja construir quatro novos shoppings, em São Caetano, Barra, Campo Grande e Jundiaí. Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

Pergunta - Quando você percebeu que seu negócio era o varejo?

José Isaac Peres - Eu comecei a trabalhar muito cedo porque precisava ajudar em casa. Nos primeiros anos da faculdade, já trabalhava como corretor de imóveis. Eu ia de manhã à faculdade e à tarde tinha tempo para vender meus apartamentos. E me dei muito bem nesse negocio, fundei uma empresa chamada Veplan em 1963. Por que Veplan? Porque tudo que é meu tem “plan”, influenciado pelas idéias do planejamento macroeconômico, já que a minha faculdade ensinava economia de estado, não microeconomia. Essa empresa se desenvolveu muito, foi a maior empresa de promoção de vendas do país. Depois se tornou incorporadora e construtora e, finalmente, até dona de banco e de shopping center. Em 1971, eu abri o capital dessa empresa na Bolsa do Rio de Janeiro. As ações saíram de 1 cruzeiro para 6 cruzeiros em 60 dias. Eu ainda comprei mais ações, estava empolgado no meu negócio e achava que ação ia a 1.000 cruzeiros, mas, na verdade, eu não entendia nada de bolsa.

Pergunta - Mas com que recursos você ergueu essa empresa?

Peres - Minha grande faculdade foi a vida, o trabalho. Meu primeiro grande desafio começou ao me associar a pessoas num negócio, um empreendimento na rua do Resende (RJ), um edifício de 180 apartamentos de sala e quarto conjugado. Eu não tinha o capital e entrei simplesmente assumindo a dívida. Cheguei em casa com uma escritura debaixo do braço. Meu pai perguntou o que era aquilo. Primeiramente achou que era brincadeira. Depois que ele viu que era verdade, perguntou como eu pagaria a dívida. Eu disse que pagaria a dívida vendendo. Ele perguntou: "E se não vender?”. Eu disse: "Eu não tenho nada a perder porque eu não tenho nada."

Em 90 dias lancei o prédio - naquela época as coisas eram menos complicadas - e vendi tudo em 15 dias. Com isso montei a minha primeira empresa. Com ela fiz centenas de empreendimentos imobiliários e construí meu primeiro shopping center, o Ibirapuera, em São Paulo. Quando vendi minha parte na Veplan - porque meus sócios quiseram se tornar banqueiros e compramos de fato um banco - eu disse: "Nós não temos vocação para ser banqueiros e evidentemente o banco vai quebrar a empresa."

Um dia, sem nenhum arrependimento, disse aos meus sócios que gostaria de sair do negócio para montar outro pois sabia que o banco iria quebrar a empresa. De fato, dez anos depois a empresa quebrou, mas eu já havia montado a Multiplan em 1975. Já tinha 12 anos de experiência como empresário e um enfoque diferente. Achei que a partir dos anos 70, com a crise do petróleo, as coisas iriam mudar. Achei que tinha um novo filão no mercado, que era o shopping center. Em 1977 comecei a construir o shopping de Belo Horizonte e em 1979 ele foi inaugurado.

Pergunta - Você sabia um pouco de varejo?

Peres - Eu fui aprendendo sobre o varejo no tempo do shopping Ibirapuera. Eu sou um homem de desenvolver projetos. Mas eu digo que é mais arte que engenho. É um negócio intuitivo. Você tem que olhar para o terreno e dizer se vai dar certo. Eu construí um shopping em Belo Horizonte na antiga estrada Rio-BH quando aquilo era um deserto, não tinha nem luz. Ninguém acreditava e hoje a cidade se mudou para lá. Então eu acertei.

Em Ribeirão Preto eu comprei um pedaço de uma fazenda de cana-de-açúcar em que o meu consumidor mais próximo era um espantalho da fazenda. Não tinha ninguém lá e hoje é uma cidade. Vim para a Barra da Tijuca quando isso aqui era um areal, o pessoal vinha muito aqui pescar siri. E nós construímos um shopping, o BarraShopping, que alavancou o desenvolvimento da Barra. Construí o MorumbiShopping, que alavancou toda a região da Berrini. Os shoppings estavam localizados em regiões que explodiram demograficamente. Hoje o valor deles é infinitamente maior.

Pergunta - A alma do negócio de shopping center é entender bem de varejo ou dominar a parte imobiliária e saber para onde vai crescer a cidade?

Peres - Tem muita gente que vem para o mundo do shopping achando que é só varejo, mas não é. É um pouco imobiliário e um pouco varejo. Minha sorte é que comecei por baixo como corretor de imóvel até me tornar incorporador, construtor e banqueiro. Fiz de tudo. E fiz umas cinco centenas de empreendimentos. Para isso, tem que estudar pelo menos uns 5.000 casos. Isso me deu um grau de percepção e uma velocidade de decisão muito grande. Mas o maior e melhor conhecimento é o seu conhecimento intuitivo. Tem que olhar para o local e dizer: "Este serve ou este não serve."

Pergunta - Quais são os planos de expansão?

Peres - Eu costumo dizer que, na nossa estratégia, o importante é qualidade, e não quantidade. Temos hoje 13 shoppings, incluindo o recém-inaugurado Vila Olímpia. E como temos participação grande nestes shoppings, temos muito foco naquilo que administramos. O BarraShopping já teve várias expansões. Começou com 120 lojas, hoje é um complexo de 660 lojas. O ex-prefeito César Maia [Rio de Janeiro] me disse que o BarraShopping é a terceira atração turística do Rio de Janeiro, atrás do Pão de Açúcar e do Cristo Redentor. O shopping de BH passa agora pela sua sétima expansão. É o principal shopping da capital mineira. Em São Paulo temos o shopping considerado o melhor por duas vezes pela revista VEJA, que é o Morumbi Shopping.

Quero que você entenda que ser melhor não quer dizer ser maior nem ser de luxo. É aquele mais abrangente, mais democrático. Trabalhamos para os públicos A, B e C. Não nos concentramos somente na classe A. E tem que ser assim pois o extrato da população brasileira é esse. Estamos focando na classe C, que é uma realidade do Brasil. Em Campo Grande vamos fazer um shopping para a classe C e D com dignidade. Se conseguirmos tratar melhor esse consumidor, nós vamos ter uma resposta mais positiva

Pergunta - Que outros shoppings vocês vão construir?

Peres - Já temos mais de 500.000 metros de ABL [área bruta locável], mas é uma empresa que está crescendo fortemente. Este ano vai demonstrar um crescimento expressivo. Nossos shoppings são muito fortes, por isso cresceram na crise. Não tivemos um mês negativo. Estamos lançando e vamos construir mais quatro novos shoppings: São Caetano, Barra, Campo Grande e Jundiaí. A empresa tem recursos próprios - cerca de 800 milhões de reais em caixa - para fazer estes projetos e outros, que são bastante expressivos. A dívida líquida é negativa. A empresa vai gerar um caixa de 350 milhões de reais por ano em média, o que dá para fazer mais dois shopping centers por ano. Quando fiz o road show [para a oferta de ações da Multiplan], eu prometi às pessoas que em cinco anos eu dobraria o tamanho da empresa. Em menos de três anos, ela já é bem maior

Pergunta - O que mudou na Multiplan desde a abertura de capital?

Peres - Eu brinco muito dizendo que antigamente eu tinha um carro conversível de passeio. Era uma empresa fechada onde eu fazia o que queria. De repente, parece que me colocaram num carro de Fórmula 1 porque eu não posso parar de correr. Nós estamos na corrida, tentando a primeira posição.

Pergunta - A participação dos shoppings no varejo deve continuar crescendo nos próximos anos? A tendência é de interiorização?

Peres - Sem dúvida. Acho que vai crescer no interior e também nas grandes cidades. A tendência à concentração é inexorável. As cidades brasileiras estão se tornando caóticas - e somos um antídoto a esse caos urbano. Para o consumidor, os shoppings são parecidos com telefones celulares. São um antídoto contra a solidão, o maior fantasma da humanidade.

Pergunta - Os shoppings não têm no Brasil a mesma penetração que no mercado americano. O brasileiro já tem shopping à altura dos americanos?

Peres - Sim. Até melhores qualitativamente. Nossos sócios canadenses [o Ontario Teachers' Pension Plan] ficam impressionados com a qualidade dos nossos shoppings. O Canadá têm mais de mil shoppings e eles dizem que fazemos shopping melhor que eles.

Pergunta - Como você planeja o processo de sucessão na Multiplan?

Peres - Meus filhos estão trabalhando comigo. Temos também muitos jovens que foram se formando dentro desta escola. É uma equipe muito boa. Hoje meu principal trabalho é transmitir o meu conhecimento. Às vezes sou chato de contar histórias, mas isso é para que eles entendam a origem das coisas.

Pergunta - No Brasil de hoje, é mais fácil ou mais difícil que uma história como a sua se repita?

Peres - Acho que, na realidade, não há momento difícil quando você tem vocação e gosta daquilo que faz. Quando você coloca amor a tudo que faz, agrega valor, o tempo não pesa, o seu trabalho se transforma num hobby. Então você acaba acertando. Até por medo de errar eu procuro ir a todos os detalhes, me esmerar ao máximo para não ser surpreendido. O sucesso é um somatório de detalhes. Nós fizemos de tudo: hotéis, shoppings, edifícios residenciais. Aqui na Barra somos autores dos três principais projetos de diferentes gêneros: o Golden Green (prédio residencial), o BarraShopping e o Centro Empresarial Barra.

Pergunta - Você tem uma ligação pessoal muito forte com a Barra?

Peres - Eu pessoalmente não sou um apaixonado pela Barra [zona oeste do Rio]. Eu nasci em Ipanema e me criei no Leblon. As minhas raízes são da zona sul. Mas eu sou realista. A minha família toda veio para a Barra e eu vim também. Montei uma arapuca e caí dentro dela. Acabei construindo o Goldem Green e vindo morar nele. Eu quebrei uma regra pois jurei que nunca moraria em nada que eu construísse, até para não ter chateação. Mas o negócio foi tão bem sucedido, o pessoal que comprou ganhou tanto dinheiro, que até hoje ninguém me cobrou nada naquele condomínio de 14 edifícios. Eu tenho um certo orgulho de falar dele pois, dificilmente, numa cidade você consegue fazer um campo de golfe em frente à praia.

Pergunta - A Multiplan tem planos para crescer fora do Brasil?

Peres - Eu já fiz empreendimentos em Miami e fiz o primeiro shopping de Portugal, que foi o Cascais Shopping, em sociedade com o grupo Sonae. Inauguramos em 1991 e hoje é um shopping espetacular, talvez o que mais fatura em Portugal. Depois saímos do negócio porque achávamos que era a hora de se concentrar no Brasil. O país atravessou fases muito difíceis até vir o Plano Real e estabilizar a moeda. A partir daí, entendemos que era o momento de investir no Brasil. Quando estivermos muitos capitalizados e quando se esgotarem as possibilidades aqui - o que não acontecerá tão cedo - será o momento de pensar em América Latina e até em outros países.

quarta-feira, agosto 13

Comunicação que envolve



Muito tem sido afirmado sobre os novos paradigmas da comunicação para o futuro próximo. Uma das mais comentadas e aceitas é a de que a propaganda terá de ser relevante para o consumidor, isto é, proporcionar algum benefício além da mera informação sobre ou produto ou o riso por ver uma idéia legal.
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O Guaraná Antartica, em ação criada pela DM9, desenvolveu um site bem bacana que adota este conceito (veja abaixo). Muitos podem dizer que, por se tratra de um site, é bem mais fácil fazer conteúdo relevante. Concordo.
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Porém, vale lembrar, que em grande parte, os sites criam conteúdos pouco relevantes, quase inúteis. Sejamos francos: baixar tela de descanso, assinar news ou usar um joguinho não é nenhum exemplo de utilidade.
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E vale lembrar que relevância, nos termos que falamos, exige que a comunicação integre a marca com o universo do consumidor, permitindo envolvimento mais forte e duradouro.
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De qualquer forma, a discussão é grande e a oportunidades, imensas.
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Guaraná Antarctica acorda torcedores
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O Guaraná Antarctica, patrocinador oficial da Seleção Brasileira de Futebol, durante os Jogos Olímpicos de Pequim, lança uma ferramenta, criada pela DM9DDB e desenvolvida pela TV1.Com, para acordar torcedores que querem acompanhar todos os jogos pela madrugada ou no início da manhã.
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Ao acessar o site do Guaraná Antarctica, os visitantes poderão, na página dedicada à Seleção Olímpica, fazer o download do widget “Despertador GA”.
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Já instalado no computador, o aplicativo mostra o próximo jogo, apresenta o resultado do jogo anterior, faz contagem regressiva a partir das 24 horas que antecedem cada partida e, cinco minutos antes de cada jogo, avisa os torcedores com mensagens na tela e uma gravação em áudio, que faz o barulho da torcida e avisa: “Acorda! Vai começar mais um jogo do Brasil.”
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sexta-feira, agosto 1

Planejamento hoje

Excelente entrevista do Mundo Marketing sobre o planejamento.

Planejamento (diferente) ganha espaço e importância nas estratégias de Marketing


É cada vez mais comum ver o Marketing unindo o departamento de comunicação em prol de um melhor atendimento ao consumidor. Atualmente o profissional de planejamento está mais próximo das estratégias de Marketing e é comum vê-los no campo procurando soluções para um bom planejamento.
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A integração do planejamento com o departamento de Marketing foi tema principal do evento dedicado ao setor que acontece todo ano nos Estados Unidos. Em 2008 a conferência de Planejamento da American Association of Advertising Agencies (AAAA) teve foco nas mudanças da comunicação e na integração do Planejamento com a criatividade.
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Presente no evento “Four A”, Fernando Diniz, Diretor de Planejamento da agência Y&R, do grupo WPP, conta ao Mundo do Marketing a importância do Planejamento no processo complexo de entender e satisfazer as necessidades do cliente. De acordo com ele, o evento internacional serviu para mostrar que o Brasil está alinhado ao mercado mundial e não deixa a desejar no quesito criatividade.
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O que mais se discutiu no “Four A” deste ano? .

O que mais me chamou a atenção foi o consenso entre as idéias e tudo o que foi falado tinha uma pincelada em comum. Nada que nós no Brasil não tenhamos pensado. Um dos pontos mais citados foi a visão de como se comunicar com o consumidor e a necessidade de olhar para ele menos como consumidor e mais como pessoa. Conexões artificiais e a venda agressiva dos atributos dos produtos são características do mercado de hoje.
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A discussão também abordou a falta da troca de idéias com consumidores, um importante fator para aumentar o desejo de se relacionar com uma marca. Um bom exemplo é o case OMO, que passou anos falando que resolvia o problema da roupa suja e hoje elevou o nível da conversa e adotou o discurso de que se sujar faz parte da infância. Esse é um bom exemplo do que foi discutido.
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É preciso propor uma troca com o consumidor. Vimos muitos cases de Internet, que é um meio que desponta como fundamental para fazer a troca estimulando o usuário a assistir e recriar em cima do que ela oferece. Temos que compartilhar em vez de apenas entregar um serviço.
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Qual a melhor maneira de se planejar uma estratégia?
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Hoje o principal é ter uma equipe eclética porque o papel do profissional de Planejamento é muito multidisciplinar e ele também tem que ter conhecimento sobre o mercado. Muitos profissionais trabalham integrados com a indústria, a fábrica e até com o setor responsável pelo desenvolvimento da embalagem do produto.
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Somos uma espécie de ONU da comunicação, porque temos profissionais ecléticos para falar em linguagens diferentes. Na Y&R, a nossa área de projetos digitais está ao lado do setor de Planejamento. A verdade está lá fora e por isso temos que ir para a rua, entrar no ônibus, suar a camisa e conversar com as pessoas. Estamos num país onde a maioria da população está na classe C e D. Se você não se misturar estará fazendo comunicação para inglês ver. Precisamos ser socialmente orgânicos.
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Quais as principais diferenças entre o planejamento brasileiro e o que é feito nos países desenvolvidos?
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A criatividade ainda é o forte do profissional brasileiro. Sempre disputamos prêmios internacionais de criatividade e fazemos isso há muitos anos de forma concreta. No Brasil, a cultura é diferente e temos um jeito característico de conversar com o consumidor. Somos criativos e isso influencia no nosso jeito de trabalhar.
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O Brasil é maduro no segmento de Planejamento, que é novo no mercado se comparado com a Europa. Temos um bom nível de planejadores, apesar de o mercado estar precisando de gente preparada. Esta é uma área que cresce no país e está em busca de profissionais.
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O Planejamento às vezes é muito baseado somente em resultados de pesquisa?
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Não. A pesquisa é fundamental, mas às vezes uma prosa com a dona-de-casa, com o motoboy pode fazer a diferença em um planejamento estratégico de comunicação. Pesquisa é e sempre será importante, mas temos que ter cuidado porque as decisões não vêm do resultado da pesquisa e sim da interpretação do resultado através do profissional de Marketing.
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A pesquisa é uma lanterna, mas sozinha não mostra o caminho da saída. É a base do trabalho de planejamento, mas o mercado às vezes fica preso nas pesquisas e esquece as idéias. O problema é o que as pessoas fazem com as pesquisas. Fala-se muito em inovação, mas o mercado está sempre fazendo mais do mesmo. "Insanidade é fazer as mesmas coisas e esperar resultados diferentes" (citando Albert Einstein).
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Quais as características de um planejamento de sucesso nos dias de hoje?
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Um bom planejamento começa com o entendimento do problema (do cliente). O primeiro passo é saber qual o problema para depois entender o cliente e saber como ele está lidando com o problema.
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O jeito de interagir com o consumidor hoje é fundamental para definir a idéia e ter inspiração. Desta forma o Planejamento serve como uma catapulta para a criação. Trocar idéias durante o processo de desenvolvimento de planejamento é fundamental.
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Nossos melhores projetos foram feitos com a ajuda e o envolvimento com a criação. Planejar é um trabalho que está nos bastidores da estratégia de Marketing, trabalhando na concepção do negócio, preparando todo o terreno para o desenvolvimento da comunicação correta.
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Quais as tendências em planejamento no Brasil e onde estão as principais oportunidades?
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A interatividade não tem volta. É da natureza humana falar de troca e os consumidores hoje fazem campanhas para empresas. O poder está cada vez mais com o consumidor e isso só tende a crescer. No planejamento a demanda vai aumentar cada vez mais porque teremos mais gente trabalhando de forma integrada com outros departamentos.
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Hoje estes profissionais estão sendo mais aceitos por colegas de outros setores e isso ajuda no processo criativo. Em pouco tempo será comum ter esses profissionais dentro do departamento de Marketing e em algumas empresas isso já acontece.
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A Internet facilitou o trabalho do Planejamento, já que hoje a interatividade é uma ferramenta usada na maioria das estratégias de Marketing?
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Talvez a interatividade dificulte o trabalho de planejamento porque é cada vez mais desafiadora. Ela obriga o profissional a abrir novas formas de conversar com as pessoas e ainda tem que ser interessante. A estratégia digital desafia a forma de pensar e faz o profissional achar ângulos diferentes para ações interessantes. Sem dúvida esta característica torna o nosso trabalho muito mais excitante.
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Por Thiago Terrathiago@mundodomarketing.com.br
Mundo do Marketing: Publicado em 28/7/2008

terça-feira, julho 29

Case Pedigree

Lendo o Blue Bus, encontrei este relato do case Pedigree escrito pela Patricia. Vale a pena.
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Uma marca que faz o que diz
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O case Pedigree foi o 1o exemplo hoje aqui na Conferência de Planejamento, em Miami, de uma marca que resolveu redefinir o seu propósito e ditar todas suas açoes a partir dele. Na essência, a Mars, dona da marca Pedigree, percebeu que para continuar crescendo precisaria deixar o lugar do meio - de um lado ela era pressionada pelas marcas próprias dos varejistas; de outro marcas premium se posicionavam como especialistas em comunicaçao. A saída foi se voltar para o consumidor e buscar um insight que tornasse a marca ainda mais relevante.
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Como quase sempre acontece com idéias geniais, foi só olhar para o óbvio e se apropriar do envolvimento emocional que os donos têm com seus cachorros. Segundo John Anton, diretor de marketing da Pedigree, 65% dos proprietários de animais de estimaçao colocam o cachorro nas fotos de família e 16% chegam a fazer festas de aniversário para seus caes.
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Pois bem, a Pedigree passou a colocar os caes no centro de tudo e chegou no conceito Dogs Rule. Agora, tudo que a empresa faz é pelo amor aos cachorros. Por isso, os funcionários podem, por exemplo, levar os cachorros para trabalhar ou colocar uma foto do seu animal no verso do seu cartao de visita.
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A melhor parte do case foi a apresentaçao da campanha 'The Pedigree Adoption Drive', veja anterior no Blue Bus aqui. Cada vez que você compra uma embalagem de Pedigree você faz uma doaçao para entidades que promovem a adoçao de cachorros. Para divulgar esta campanha, que obviamente está presente em várias mídias, da embalagem a internet, foram feitos filmes inusitados para a categoria.
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Os caes aparecem atrás das grades, o que fez 14,000 consumidores entrarem em contato com a empresa para saber como poderiam adotar um deles, o Eko clique na imagem abaixo para ver um dos comerciais. Muito corajoso e extremamente envolvente. O resultado sao vendas que crescem 2 dígitos a cada ano, desde o lançamento do Manifesto Dogs Rule, em 2005.
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Fonte: Blue Bus


sexta-feira, junho 20

Sociedade das idéias

Video com palestra do Ken Fujioka e Daniel de Tomazzo, na Conferencia de Planejamento do GP em 2006. Tema: Sociedade das idéias.

O que é planejamento?

Pesquisando na net, encontrei o site do Grupo de Planejamento do Rio Grande do Sul. Eles apresentam um 'pequeno' texto sobre O que é Planejamento. Simples e direto. Vale a pena ler, seja para apreender, relembrar ou se assustar (coisa do tipo: nossa, como tem coisa para eu aprender).
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O que é planejamento?
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Essa é uma das perguntas que a maioria das pessoas, ligadas ou não à área de comunicação, costumam fazer a respeito da disciplina. Por isso, também foi um dos primeiros questionamentos que o grupo levantou nos encontros iniciais.
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O conceito clássico de planejamento é “o processo de guiar ou facilitar o processo de comunicação pela aplicação de conhecimento sobre o consumidor e o mercado”.
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Na prática, porém, o papel de um profissional de planejamento vai muito além disso. Ele incorpora muitas funções, que podem variar do tipo de empresa, do perfil da agência, ou de outros fatores, o que o torna um profissional verdadeiramente multidisciplinar. Entre os papéis mais conhecidos, podemos citar:
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• Pesquisador de mercado – Origem de muitos planejadores, é a também a espinha dorsal do trabalho. É preciso saber desenhar, conduzir, analisar e relatar pesquisas de forma objetiva. • Analista de dados - O planejador assegura que todo dado relevante tenha sido analisado apropriadamente antes das decisões de marca. Isto abrange não apenas pré-testes, mas dados de vendas, tendências, demografia, etc. Significa enxergar a história por trás dos números, com senso comum, intuição e clareza de pensamento.
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• Moderador de Grupos de Discussão Qualitativo – É onde o planejador se aproxima mais do target, vendo o mundo sob a sua ótica. Nesse papel, ele é ao mesmo tempo psicólogo e intérprete.
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• Central de Informações – Conhecimento é pedra fundamental do planejamento. E saber onde procurar para descobrir coisas é chave. É uma das pontas mais visíveis do trabalho de planejamento, tangibilizando um trabalho tão subjetivo, e que agrega muito valor ao clientes.
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• Antropólogo Social – Com o mundo mudando o tempo todo, é cada vez mais importante para pessoas criativas estarem em contato com a evolução das tendências culturais e sociais, para garantir relevância no que se faz e aplicar com velocidade o novo conhecimento.
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• Voz do Consumidor – Uma definição clássica, mas ainda atual. Implica em garantir que a compreensão sobre o comportamento do consumidor seja trazida a todos os estágios do desenvolvimento da comunicação, pois nem sempre as pessoas que trabalham nos processos são do target envolvido.
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• Pensador/Desenvolvedor de Estratégias - Quem enxerga o todo é quem tem condições de formatar as linhas estratégicas. Assim, o planejamento pode criar estratégias para amarrar com as intenções gerais do cliente e orientar todo o esforço de marca, deixando todos conscientes das questões-chave e determinando o papel da comunicação para aquela situação em análise.
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• Planejador de Mídia e de Comunicação - A integração das mídias tem sido a estratégia de crescimento de muitas agências, e é cada vez mais importante o planejador entender o papel estratégico e a eficácia das diferentes mídias, por target e categoria, para utilizá-las no atingimento dos objetivos de marca.
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• Consultor no Desenvolvimento de Novos Produtos - Estar presente ao nascimento de um novo produto ou serviço, participando do posicionamento, da criação de nome, da testagem e do lançamento, é uma das experiências mais interessantes e agregadoras para um planejador.

Mas há muito mais. Os planejadores também precisam ser adivinhos, ver o que ainda ninguém viu. Precisam ser polemistas, pois do pensamento original nascem grandes idéias. Precisam escrever briefings criativos, facilitar brainstorms, coordenar endomarketing nos clientes, organizar processos, desenvolver projetos...

E durante a execução de todos os papéis acima, ele sempre vai estar garimpando insights. Insights que vêm do consumidor, do mercado, da cultura do cliente, da concorrência, dos valores da marca, em fim, de qualquer lugar. E que podem mudar o negócio do cliente.
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Fonte: GPRS

Como fazer propaganda atual


Recado curto e bem dado pelo Fabiano Coura. Vale a pena ler

"Pude perceber pelas perguntas dos youngs na palestra da Naked que essa nova geração de criativos entendeu o recado: as campanhas mais bem sucedidas em mercados cuja mídia se encontra em alto estágio de fragmentação precisam ser concebidas como um "presente" para os consumidores.
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Eles farão o trabalho de comentar sobre elas e impulsionar sua mensagem. É como se o começo da estória pudesse ser contato pelas agências, que não poderiam identificar o "meio" e tão pouco saberiam definir quando suas campanhas chegariam ao fim... porque na web as mensagens não tem fim."

Fonte: www.fabianocoura.com

quarta-feira, junho 18

Para clientes

"Deu no AdAge: "If You Want Better Work, Try to Be a Better Client"

Beau Fraser, Managing Director da The Gate Worldwide, escreveu há algumas semanas para o AdAge sobre como, às vezes, os clientes precisam reconhecer que suas atitudes causam empecilhos para a criação de grandes idéias por parte de suas agências.

E ele afirma isso basicamente por 4 coisas:

1. Clientes tratam o marketing como um pit stop, não como profissão - o marketing muitas vezes é tratado como mais um departamento dentro do plano de carreira dos clientes e não como uma profissão central para o business.

2. Clientes carecem de coragem - muitas pessoas de marketing costumam fazer coisas com base no que sempre foi feito, evitando a chance de errar e dificultando muito o surgimento de idéias inovadoras.

3. Clientes não são alinhados - depois de muitas apresentações para pessoas diferentes não é difícil aparecer alguém, que é de fato o tomador de decisão, que não gosta da idéia e obriga o processo a recomeçar.

4. Clientes baseiam decisões em pessoas muito júnior - nos clientes, algumas decisões importantes são tomadas por pessoas júnior, que podem ser muito inteligentes, mas não têm experiêcia suficiente para colocar os pontos finais nas histórias.

Fonte: Grupo de Planejamento


Scuppies: os novos yuppies



Scuppie é a sigla para Socially Conscious Upwardly-mobile Person (pessoa socialmente consciente e antenada nas novidades tecnológicas), uma espécie de eco-geek abastado.

Trocando em miúdos, são aqueles que prezam a qualidade de vida, seguem a moda, viajam, adotam novas tecnologias e preocupam-se com dinheiro ao mesmo tempo em que se importam com o meio-ambiente e as causas sociais.

O termo foi criado pelo americano Chuck Failla, empresário do setor financeiro em Nova York. E trata de um mix de Hippies e Yuppies. O site Scuppie.com elucida um pouco mais o assunto. E traz ilustrações divertidas, como a acima, na seção graphics.

Fonte: Posted by Paula Rizzo - Grupo de Planejamento

segunda-feira, setembro 3

Pesquisa etnográfica: enfim, o consumidor de carne e osso

Mais um texto para complementar a compreensão da importância da pesquisa no contexto do planejamento de propaganda, especialmente quanto a atenção que se deve dar para saber qual o método mais adequado a utilizar.
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Usar o lava-louças principalmente para limpar a pia, converter o desodorante num microfone, escovar o celular para higienizá-lo e mantê-lo impecável, transformar detergente em pó em produto para lavar pisos e quintais... Ao longo dos últimos anos, temos visto nossos clientes se surpreenderem com fatos e ações inesperadas dos consumidores em seu dia-a-dia. E, a partir da surpresa, terem momentos riquíssimos de insights e estímulo.

As surpresas que surgem quando se pesquisa a fundo o consumidor são freqüentes, seja por suas idéias sobre os produtos, a relação que fazem de uns e outros ou o modo como uma marca ou serviço se integra ao seu mundo pessoal. Muitas vezes, são esses fatos imprevistos (senão secundários aos objetivos iniciais de algum estudo mercadológico) que acabam ilustrando, com força incontestável, a melhor maneira de um cliente se comunicar com a audiência, de pensar em uma extensão de produtos e/ou de re-significar ofertas para gerar um diferencial competitivo.

A importância de entender em profundidade como o consumidor se vincula aos produtos e serviços e processa seu comportamento na hora de avaliar ou optar por este ou aquele é cada vez mais imperiosa. Mas nem todas as ferramentas de pesquisa tradicionalmente disponíveis demonstram ter o mesmo grau de eficácia.

Entrevistas por questionário estruturado ou mesmo discussões em grupo dificilmente criam oportunidades que possibilitem ao consumidor se abrir completamente na frente de desconhecidos e desvendar condutas interpretáveis como heterodoxas. Apesar da sua imensa contribuição à informação e inteligência de mercado, não é esse o papel da pesquisa quantitativa ou dos focus-groups convencionais. Tal privilégio revelador está reservado para uma variante da pesquisa qualitativa que vem ganhando popularidade: a etnografia.

Também chamada de “observação participante” ou “pesquisa interpretativa”, a pesquisa etnográfica consiste em um processo guiado pelo senso questionador do etnógrafo, que visa desnudar o cotidiano do consumidor. Seu prestígio está no fato de ela ter enriquecido a pesquisa qualitativa, sobretudo por estudar as diferenças e as exclusões sociais. O próprio fato de trazer para a pesquisa de mercado uma visão mais holística e abrangente da cultura já é uma contribuição importante; isto é, a cultura não é só vista como reflexo das forças estruturais da sociedade, mas como um sistema de significados entre as estruturas sociais e a ação do homem.

Apesar disso, algumas técnicas qualitativas de vanguarda, inclusive a pesquisa etnográfica para uso no marketing, continuam sendo criticadas. Uma crítica relacionada à etnografia é de que ela não tem preocupação em contextualizar as concepções e condutas dos pesquisados. Ou seja, são descritas as diferentes formas de consciência, sem explicar como e por que se desenvolveram. Claro que o contexto histórico e estrutural é extremamente importante, mas não devemos esquecer que o uso da pesquisa de mercado como ferramenta deve ser sempre mais pragmático, objetivo e voltado às necessidades mercadológicas.

Se considerarmos que a entrevista em profundidade que é feita hoje, a rigor, é muito mais uma “entrevista em semiprofundidade”, pois dificilmente ultrapassa as duas horas de duração, a etnográfica é importante como solução para o problema. Isso porque busca realmente investigar a fundo questões como a verdadeira relação do consumidor com o produto e a marca, possibilitando (até pelo tempo maior de contato com o pesquisado) interpretar manifestações não-verbais, o que dificilmente se consegue em técnicas qualitativas tradicionais.
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Outro benefício dessa pesquisa é revelar as “incoerências” dos consumidores, que, acompanhados em sua rotina, acabam falando e se mostrando mais e, assim, se contradizendo. Em última análise, em marketing, a pesquisa etnográfica difere por buscar realmente desvelar a “caixa preta” que envolve as relações de consumo.

O que não se pode aceitar é que se considere pesquisa etnográfica como mais uma técnica “da moda”, utilizada sem critérios e aleatoriamente. Optar por seu uso como solução de um problema se dá principalmente quando outras técnicas tradicionais não suprem os objetivos e quando são necessárias informações e insights advindos de um contato mais estreito com o consumidor.
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E vale lembrar que a etnografia baseia-se no princípio da pesquisa social, de que a sociedade e a compreensão do mundo social estão em movimento constante; portanto, generalizações não fazem sentido. Seus resultados são realmente uma fotografia do momento e revelam, por fim, o consumidor “de carne e osso”, com suas incoerências, vulnerabilidades, sem máscaras ou rótulos.

Certamente será muito mais rico se utilizarmos a pesquisa etnográfica para conhecer, em profundidade, as atitudes, valores, crenças e comportamento do consumidor. Ou ainda, o que está por trás de sua fala, seu gestual, seu comportamento, fazer uma leitura do seu corpo.

O produto EtnoView, da Market Analysis, é uma ferramenta rica e útil de exame etnográfico do consumidor, baseado num mix de entrevistas filmadas, analisadas e editadas com acompanhamento pessoal do dia-a-dia do entrevistado. Esse formato inovador oferece flexibilidade e adaptação aos objetivos da pesquisa, possibilitando a inclusão de instrumentos complementares e não convencionais de coleta de dados, tais como diários, fotos etc. Além disso, é um produto menos invasivo do que outras técnicas atualmente em uso, pois é o próprio entrevistador quem filma as entrevistas, respeitando o entrevistado e criando, sem dúvida, uma maior cumplicidade entre pesquisador e pesquisado.

Concluindo, quanto mais profundamente conhecermos o consumidor, mais preparados estaremos para atender seus desejos e necessidades e “superar” a concorrência.
E a pesquisa etnográfica é uma ferramenta importante nesse processo.

Marcelo Novazzi é coordenador de projetos da Market Analysis Brasil e especialista em pesquisa qualitativa etnográfica.

Evitando os Erros Comuns em Pesquisas

Este é um bom texto para complementar as lições do capítulo 3 do livro A arte do Planejamento, de Jon Steel, que estamos trabalhando. O autor reflete sobre os erros mais frequentes em pesquisas quantitativas e qualitativas, e dá dicas de como evitar cair no mesmo caminho.
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Talvez a maior qualidade de um bom marketeiro seja a capacidade de se colocar na pele de seu consumidor. Mesmo que seu produto não seja uma grande inovação, se ele for capaz de pensar como o consumidor, dificilmente fará um grande erro ou desperdiçará dinheiro da empresa.

Entretanto, somente a experiência pessoal não fornece o conhecimento necessário para avaliar com precisão a reação do mercado a novas idéias, conceitos e produtos. O feeling geralmente carrega consigo preconceitos e uma visão pessoal do mercado. É aqui que entra a pesquisa. Ainda vista por muitos como algo muito complicado e caro (o que pode ser verdade, já que certos modelos de mercado chegam a custar dezenas de milhares de dólares), mesmo uma pesquisa simples e barata, mas bem-feita, é muito melhor que não fazer pesquisa alguma.

A dica desta semana procura ajudar os iniciantes a escaparem de alguns erros comuns. Pode parecer brincadeira, mas muitas vezes o marketeiro não consegue definir com exatidão qual é seu problema, que informações deseja conseguir e como a pesquisa pode ajudar. Este é o primeiro passo: uma boa pesquisa só existe com um bom briefing. Outro ponto importante é ter uma hipótese a ser testada, que poderá ser confirmada, negada ou refinada com os dados coletados. Esta hipótese pode ser qualquer um dos fundamentos de um plano de marketing sobre o qual haja dúvidas , como quem é meu consumidor, como ele usa meu produto, qual será a aceitação de meu novo serviço.

Em seguida, a decisão geralmente é escolher entre pesquisa quantitativa ou qualitativa. É importante lembrar que estes dois tipos não são conflitantes, mas complementares. A quali auxilia a entender, perguntando o quê, o porquê e o como; enquanto a quanti ajuda a medir, perguntando quantos, quantas vezes, a que preço.

A pesquisa quali é importante porque consegue muitas vezes descobrir motivações e atitudes inconscientes que definem comportamentos, através de técnicas projetivas. Desta forma, ela vai além das respostas racionalizadas e superficiais, podendo tocar na criatividade do consumidor e gerar compreensão sobre novos usos e conceitos potenciais. Ela pode ser utilizada quando a empresa precisa entender melhor seu mercado, compreender comportamentos, motivações e atitudes dos consumidores, buscar direcionamento no desenvolvimento de produtos ou gerar idéias para novos conceitos.

Já a pesquisa quantitativa consegue colocar conceitos em números: qual a porcentagem dos consumidores que prefere nosso produto ao concorrente, é um exemplo. O melhor uso deste tipo de pesquisa é a quantificação das respostas ou caminhos encontrados na pesquisa quali, através de questionários cujas respostas podem ser analisadas estatisticamente se tiverem amostras adequadas. Como a interação com o consumidor é menor na pesquisa quanti, é importante que o questionário não seja longo demais, que as perguntas sejam claras, sem espaço para ambiguidade, e principalmente que elas não direcionem a resposta.

Um erro comum que deve ser evitado é que no meio do processo, após a definição da hipótese e das ações gerenciais a a serem tomadas com os resultados da pesquisa, inventa-se de aproveitar a pesquisa para se colocar mais umas perguntinhas no questionário, ou chama-se a moderadora para extrair mais umas informações do grupo, e acaba-se com um resultado confuso e disperso. Frequentemente, perde-se o objetivo e não se faz nada com o relatório de resultados. Lembre-se: pesquisa só é feita para ser seguida por ação.

Finalmente, antes de iniciar um projeto de pesquisa, lembre-se que você pode conseguir praticamente de graça uma quantidade imensa de informação através de dados secundários, seja em estatísticas demográficas, estudos científicos, pesquisas públicas de opinião e até websites da mídia ou mesmo da concorrência. É impressionante a quantidade de informação que pode ser conseguida nos press-releases de seu concorrente.

Hoje também estão disponíveis na Internet sites como o www.zoomerang.com onde é possível se construir rapidamente questionários e enviá-los como um link diretamente para os endereços de e-mail de seu público. O respondente acessa o site e suas respostas são automaticamente tabuladas e apresentadas como gráficos e tabelas. Até 100 questionários respondidos, o uso é gratuito. Dependendo do ânimo do seus consumidores, você pode ter seus resultados em dois ou três dias. Nada como a tecnologia...

Por Marcos Dutra - Editor Pensando Marketing

sexta-feira, agosto 3

As Principais Tendências da Propaganda


No final de 2002, a revista About publicou, para marcar sua edição de número 700, uma matéria especial com uma ampla análise sobre as tendências capitais da propaganda para os primeiros anos do século XXI.

Preparada por Rafael Sampaio, a análise contou com a colaboração de sete grandes líderes da propaganda brasileira: Silvana Cassol, diretora de marketing de O Boticário e vice-presidente da ABA; Jens Olesen, presidente do Grupo McCann-Erickson no Brasil, América Latina e Caribe; Luiz Lara, sócio-presidente da Lew Lara e presidente da ABAP-SP; Ricardo Guimarães, presidente da Thymus; Washington Olivetto, presidente e diretor de criação da W/Brasil; Daniel Barbará, diretor comercial da DPZ; e Octavio Florisbal, superintendente comercial da Rede Globo de Televisão.

Foi feita uma análise do que deverá acontecer de mais importante nas áreas de anunciantes, negócio das agências, atendimento, planejamento, criação, mídia e veículos.

A seguir, apresentamos as sete tendências capitais para o conjunto da atividade publicitária e para cada uma de suas grandes áreas.

Tendências gerais para toda a atividade

1. Crescimento do uso da comunicação, com "reinvenção" de algumas categorias. Verbas maiores e mais anunciantes, mas com perfil de distribuição diferente. Menor volume de GRPs. Necessidade de desenvolver novos formatos.

2. Comunicação vista como parte do processo empresarial, e não apenas da atividade de marketing. Branding como chave para escapar da comoditização. Pensar na guerra e na guerrilha.

3. Modelos de agências múltiplos, desde que simples, rápidos, integrados e eficazes. Agências precisam oferecer pensamento total em comunicação e entrega integrada/coordenada. Agências devem cuidar da entrega pela própria agência e pelo network de executores. Agências podem caminhar para a consultoria de comunicação/branding e a co-gestão das marcas. Mas é necessário, acima de tudo, manter o foco.

4. Anunciantes e agências precisam desenvolver a "experiência da marca" de forma integrada - bem como a capacidade de integrar todas as atividades de comunicação. Objetivo é colocar a vida real na propaganda e a propaganda na vida real.

5. Para os profissionais, compreender a dinâmica do mercado, saber integrar processos e garantir resultados. Desenvolver visão antropológica, senso de inovação/experimentação e abordagem de arte. Ampliar limites da inspiração e da interferência da comunicação. Trabalhar para que a propaganda possa "perder a autoria".

6. Formar definitivamente o "time da agência", incluindo atendimento/planejamento, criação e mídia, com ênfase na tarefa criativa. Lutar para restaurar a confiança da cadeia cliente/agência/produtora/fornecedor. Agências devem antecipar demandas e necessidades dos clientes. Melhor e mais profundo relacionamento entre agência e cliente.

7. Mudanças importantes na estrutura do setor de veículos. Crescimento dos networks e fortalecimento dos grupos regionais. Probabilidade de importantes mudanças no relacionamento comercial cliente/agência/veículo.


Tendências capitais sob o foco dos anunciantes

1. Crescimento do uso da comunicação, com "reinvenção" de algumas categorias.
2. Verbas maiores e mais anunciantes, mas com perfil de distribuição diferente.
3. Comunicação vista como parte do processo empresarial e não apenas da atividade de marketing.
4. Foco na criação de alternativas. Maior inovação virá dos médios e pequenos.
5. Mais do que atingir os consumidores, ênfase em "tocar" e envolver os clientes.
6. Melhor e mais profundo relacionamento entre agência e cliente.
7. Executivo de anunciante deve liderar tarefa de integração e coordenação da comunicação, mas com grande suporte da agência.


Tendências capitais no negócio de agência

1. Crescimento do mercado em aceleração. Comunicação de marketing mais que a propaganda.
2. Foco, foco, foco.
3. Modelos múltiplos, desde que simples, rápidos, integrados e eficazes.
4. Oferecer pensamento total em comunicação e entrega integrada/coordenada.
5. Performance vai influir na remuneração.
6. Capacidade de trafegar do global ao local.
7. Buscar novos clientes todos os dias.


Tendências capitais para o atendimento

1. Caminhar para a consultoria de comunicação/branding e a co-gestão das marcas.
2. Múltiplos modelos e formatos.
3. Desenvolver a "experiência da marca" de forma integrada.
4. Cuidar da entrega pela agência e network de executores.
5. Antecipar demandas e necessidades dos clientes.
6. Líder deve olhar mais a estratégia e menos o job.
7. Líder deve ser "clínico geral" e capaz de gerir/fazer o planejamento.


Tendências capitais para o planejamento

1. Capacidade de integrar as atividades de comunicação e de desenvolver a "experiência da marca".
2. Múltiplos modelos e formatos.
3. Branding como chave para escapar da comoditização.
4. Compreender a dinâmica do mercado, saber integrar processos e garantir resultados.
5. Desenvolver visão antropológica, senso de inovação/experimentação e abordagem de arte.
6. Incorporar experiências européias mais abrangentes, mais diversificadas e menos mecanicistas.
7. Executivo ou de staff, o planejador deve ser líder e visionário mais do que técnico.


Tendências capitais para a criação

1. Buscar maior envolvimento com o planejamento.
2. Trabalhar para que a propaganda possa "perder a autoria" — da agência e do profissional.
3. Entrar definitivamente para o "time da agência".
4. Restaurar a confiança da cadeia cliente/agência/produtora/fornecedor.
5. Pensar na guerra e na guerrilha.
6. Ampliar limites da inspiração e da interferência de seu trabalho.
7. Colocar a vida real na propaganda e a propaganda na vida real.


Tendências capitais para a mídia

1. Concentração nos quatro pilares clássicos: TV, rádio, jornal e revista.
2. Menor volume de GRPs.
3. Necessidade de desenvolver novos formatos.
4. Probabilidade de importantes mudanças no relacionamento comercial cliente/agência/veículo.
5. Profissionais de mídia mais bem informados, com maior competência técnica e capacidade gerencial.
6. Melhorar competência de planejamento estratégico e negociação.
7. Integração ao time criativo da agência, ao lado do atendimento/planejamento e da criação.


Tendências capitais para os veículos

1. Mudanças importantes na estrutura do setor. Crescimento dos networks e fortalecimento dos grupos regionais.
2. Conteúdo mais diversificado, mais internacional e mais local.
3. Convergência na TV.
4. Maior profissionalização das organizações de veículos, incluindo políticas comerciais mais saudáveis.
5. Probabilidade de importantes mudanças no relacionamento comercial cliente/agência/veículo.
6. Mais e melhores pesquisas — se os anunciantes exigirem.
7. Profissionais das áreas comerciais dos veículos devem ser mais técnicos e conhecer melhor o marketing, a mídia e a pesquisa.

Clube de Criação de São Paulo: Obrigatório


Para quem não conhece, o Clube de Criação de São Paulo, ou CCSP, é a maior entidade brasileira voltada para a criação, com foco nos profissionais. O seu portal CCSPOnline é uma referência obrigatória para todos os alunos, mesmos aqueles que não se interessam por criação.

Com um pouco de tudo, o portal oferece notícias fresquinhas, as novas peças publicitárias do mercado (tv, jornal, revista, internet, promoção, etc), peças dos anuários de criação, artigos, entrevistas e muitos mais.

Vale a pena conferir. Ou melhor, é obrigatório conferir. Acesse www.ccsp.com.br

quarta-feira, julho 25

Cases de Planejamento - Young Creatives

O site do Young Creatives no Brasil disponibiliza, na sua seção Passarela, 3 cases premiados de brasileiros que vale a pena conferir.

:: João Gabriel Fernandes - Case 2006 Caixa :: veja
:: Ana Paula Borges - Case 2005 Sonho de Valsa Mais :: veja
:: Laura Chiavone - Case 2004 Casas Bahia :: veja

Estes cases são muito interessantes, não apenas por seu conteúdo, mas também pela excelente apresentação. Primeiro, porque fogem ao tradicional modelo de planejamento estratégico rígido e chato. Segundo, porque apresenta o case 'contando uma história', o que facilita a compreensão e torna a idéia mais cativante.

As maiores mentiras contadas por planners

Inspiradas no texto de Guy Kawasaki, aqui estão as Maiores Mentiras de Planejadores. Sejamos justos, algumas delas são contadas todos os dias. Confesso, acho que eu mesma já soltei algumas delas e quase morri de rir traduzindo o texto. Tenho certeza que você terá uma mentirinha extra para adicionar ao final da lista. Aliás, conto com isso nos comentários.

1. “Eles sempre dizem isso. Mas eles não querem dizer isso.” - É o que o planner diz ao cliente quando o consumidor fala algo no grupo que pode acabar em um segundo com o caminho em teste.

2. “ Vamos nos apropriar do amarelo”. - Ou do azul ou qualquer coisa. Nunca poderemos ser donos de uma cor. Nem mesmo a Orange é dona do laranja. As bananas usarão amarelo para suas cascas, as listas amarelas não mudarão de nome etc.

3. “Isto não é estatisticamente representativo” - Ninguém sabe exatamente quando a coisa é ou não é. Mas aquele que está com um problema sério num resultado de pesquisa costuma ter absoluta certeza que este resultado é enfraquecido pelo tamanho da amostra.

4. “Achamos que há algo errado com o recrutamento” - Essa afirmação te permite explicar o desastre que acabou de acontecer na discussão em grupo.

5. “Criativos, aqui está o insight bacaninha que tivemos”. - sso geralmente quer dizer Criativos, descobrimos a chave dos nossos problemas e vocês não precisam mais ficar pensando. Então, escreve aí essa coisa que a gente pensou e ta tudo resolvido.

6. “Eu prefiro anotar as minhas impressões direto no meu laptop”. - Na verdade, eu não estou anotando nada, esses são os grupos mais chatos que eu assisti em toda a minha vida. Ainda bem que eu trouxe o computador que tem batalha naval.

Por Laura Chiavone