quinta-feira, fevereiro 28

Profissional de planejamento: um valioso instrumento de navegação

A função mais básica da disciplina de planejamento é criar idéias que tenham a capacidade de gerar sucesso para as marcas e negócios do cliente, predominantemente através da comunicação.

Para que isso seja possível, é necessário que o profissional de planejamento tenha mais do que habilidades profissionais específicas; é preciso ter também algumas características particulares em seu DNA e em seu caráter. É preciso ter espírito de planejador pra ser um bom planejador.

Como muitas vezes o planejamento é visto como aquele que orienta, direciona, aponta o caminho e faz o cliente chegar onde queria, gostaria de fazer uma analogia entre o profissional de planejamento e o mais conhecido instrumento de navegação da humanidade: a bússola.

Assim como a bússola, que nos orienta através dos quatro pontos cardeais, acredito que o bom profissional de planejamento deva ter, também, quatro características fundamentais.

A primeira delas, e talvez a que mais deva ser valorizada num planejador, é uma alma curiosa. Aquela que o faz seguir em direção ao Sul e se aprofundar devidamente no conhecimento que o projeto, o contexto, a marca demanda. O bom planejador — e tenho a sorte de trabalhar e já ter trabalhado com alguns dos melhores do mercado — está sempre perguntando, questionando tudo, inclusive a si mesmo.

O planejador quer sempre saber o porquê das coisas, as causas e efeitos, as opiniões, impressões e reações das pessoas ou públicos de interesse. Esse espírito de constante curiosidade faz com que esse profissional ache oportunidades onde ninguém viu, identifique problemas que o cliente não detectou, veja as coisas de um jeito novo, diferente e original.

Isso nos leva à segunda característica que, como cliente, mais valorizo num planejador: uma visão de negócios.O planejador deve estar em constante contato com os resultados da estratégia por ele orientada para o meu negócio. É saber olhar para o Norte da marca, avaliando inclusive como fazer e quanto falta para chegar lá. Planejador que é bom de insight criativo e ruim de visão de negócios para mim só utiliza parte de sua capacidade de agregar valor ao cliente.

A terceira característica que mais valorizo — e é crítica para o sucesso de um profissional de planejamento — é sua capacidade de comunicação, ou seja, a habilidade de vender idéias e fazer com que elas sigam rumo ao Leste, adiante numa curva ascendente.

O bom planejador sabe racionalizar e explicar aquilo que é abstrato; sabe inspirar a criação, sabe trabalhar em conjunto, sabe vender o projeto para o cliente e sabe como ajudar o cliente a vender seus projetos dentro da empresa.

A quarta característica fundamental poderia facilmente representar o Oeste da minha analogia, pois diz respeito a saber olhar para o lado, a saber trabalhar em equipe e agregar insights. Afinal, o planejamento não tem fronteiras e, muitas vezes, um bom projeto de planejamento conta com um conjunto de habilidades e perspectivas de outras áreas da agência, como criação, atendimento, mídia e ativação, além do próprio cliente.

O papel do profissional de planejamento nesse processo é liderar e conduzir o pensamento para que o resultado seja o melhor possível. Planejadores raramente são autores únicos dos projetos nos quais estão envolvidos, e freqüentemente articulam a participação e coexistência de várias áreas da agência. E, por essa razão, a última das quatro características que mais valorizo em um profissional de planejamento é essa generosidade.

A generosidade de “jogar” uma idéia na mão de outros departamentos para ver como ela se desenvolve, para ajustar ou complementar com inteligência e argúcia uma idéia de outra pessoa, estimulando o pensamento em conjunto e a participação de todos no processo — como um navegador que sabe que, para se lançar em mares inóspitos e alcançar o porto seguro, é preciso haver harmonia e contribuição de toda tripulação.

Por Luca Cavalcanti :: 18 de Fevereiro de 2008 - Edição 1296
http://www.meioemensagem.com.br/novomm/br/Artigo.jsp?id=1522

segunda-feira, setembro 3

Pesquisa etnográfica: enfim, o consumidor de carne e osso

Mais um texto para complementar a compreensão da importância da pesquisa no contexto do planejamento de propaganda, especialmente quanto a atenção que se deve dar para saber qual o método mais adequado a utilizar.
...
Usar o lava-louças principalmente para limpar a pia, converter o desodorante num microfone, escovar o celular para higienizá-lo e mantê-lo impecável, transformar detergente em pó em produto para lavar pisos e quintais... Ao longo dos últimos anos, temos visto nossos clientes se surpreenderem com fatos e ações inesperadas dos consumidores em seu dia-a-dia. E, a partir da surpresa, terem momentos riquíssimos de insights e estímulo.

As surpresas que surgem quando se pesquisa a fundo o consumidor são freqüentes, seja por suas idéias sobre os produtos, a relação que fazem de uns e outros ou o modo como uma marca ou serviço se integra ao seu mundo pessoal. Muitas vezes, são esses fatos imprevistos (senão secundários aos objetivos iniciais de algum estudo mercadológico) que acabam ilustrando, com força incontestável, a melhor maneira de um cliente se comunicar com a audiência, de pensar em uma extensão de produtos e/ou de re-significar ofertas para gerar um diferencial competitivo.

A importância de entender em profundidade como o consumidor se vincula aos produtos e serviços e processa seu comportamento na hora de avaliar ou optar por este ou aquele é cada vez mais imperiosa. Mas nem todas as ferramentas de pesquisa tradicionalmente disponíveis demonstram ter o mesmo grau de eficácia.

Entrevistas por questionário estruturado ou mesmo discussões em grupo dificilmente criam oportunidades que possibilitem ao consumidor se abrir completamente na frente de desconhecidos e desvendar condutas interpretáveis como heterodoxas. Apesar da sua imensa contribuição à informação e inteligência de mercado, não é esse o papel da pesquisa quantitativa ou dos focus-groups convencionais. Tal privilégio revelador está reservado para uma variante da pesquisa qualitativa que vem ganhando popularidade: a etnografia.

Também chamada de “observação participante” ou “pesquisa interpretativa”, a pesquisa etnográfica consiste em um processo guiado pelo senso questionador do etnógrafo, que visa desnudar o cotidiano do consumidor. Seu prestígio está no fato de ela ter enriquecido a pesquisa qualitativa, sobretudo por estudar as diferenças e as exclusões sociais. O próprio fato de trazer para a pesquisa de mercado uma visão mais holística e abrangente da cultura já é uma contribuição importante; isto é, a cultura não é só vista como reflexo das forças estruturais da sociedade, mas como um sistema de significados entre as estruturas sociais e a ação do homem.

Apesar disso, algumas técnicas qualitativas de vanguarda, inclusive a pesquisa etnográfica para uso no marketing, continuam sendo criticadas. Uma crítica relacionada à etnografia é de que ela não tem preocupação em contextualizar as concepções e condutas dos pesquisados. Ou seja, são descritas as diferentes formas de consciência, sem explicar como e por que se desenvolveram. Claro que o contexto histórico e estrutural é extremamente importante, mas não devemos esquecer que o uso da pesquisa de mercado como ferramenta deve ser sempre mais pragmático, objetivo e voltado às necessidades mercadológicas.

Se considerarmos que a entrevista em profundidade que é feita hoje, a rigor, é muito mais uma “entrevista em semiprofundidade”, pois dificilmente ultrapassa as duas horas de duração, a etnográfica é importante como solução para o problema. Isso porque busca realmente investigar a fundo questões como a verdadeira relação do consumidor com o produto e a marca, possibilitando (até pelo tempo maior de contato com o pesquisado) interpretar manifestações não-verbais, o que dificilmente se consegue em técnicas qualitativas tradicionais.
.
Outro benefício dessa pesquisa é revelar as “incoerências” dos consumidores, que, acompanhados em sua rotina, acabam falando e se mostrando mais e, assim, se contradizendo. Em última análise, em marketing, a pesquisa etnográfica difere por buscar realmente desvelar a “caixa preta” que envolve as relações de consumo.

O que não se pode aceitar é que se considere pesquisa etnográfica como mais uma técnica “da moda”, utilizada sem critérios e aleatoriamente. Optar por seu uso como solução de um problema se dá principalmente quando outras técnicas tradicionais não suprem os objetivos e quando são necessárias informações e insights advindos de um contato mais estreito com o consumidor.
.
E vale lembrar que a etnografia baseia-se no princípio da pesquisa social, de que a sociedade e a compreensão do mundo social estão em movimento constante; portanto, generalizações não fazem sentido. Seus resultados são realmente uma fotografia do momento e revelam, por fim, o consumidor “de carne e osso”, com suas incoerências, vulnerabilidades, sem máscaras ou rótulos.

Certamente será muito mais rico se utilizarmos a pesquisa etnográfica para conhecer, em profundidade, as atitudes, valores, crenças e comportamento do consumidor. Ou ainda, o que está por trás de sua fala, seu gestual, seu comportamento, fazer uma leitura do seu corpo.

O produto EtnoView, da Market Analysis, é uma ferramenta rica e útil de exame etnográfico do consumidor, baseado num mix de entrevistas filmadas, analisadas e editadas com acompanhamento pessoal do dia-a-dia do entrevistado. Esse formato inovador oferece flexibilidade e adaptação aos objetivos da pesquisa, possibilitando a inclusão de instrumentos complementares e não convencionais de coleta de dados, tais como diários, fotos etc. Além disso, é um produto menos invasivo do que outras técnicas atualmente em uso, pois é o próprio entrevistador quem filma as entrevistas, respeitando o entrevistado e criando, sem dúvida, uma maior cumplicidade entre pesquisador e pesquisado.

Concluindo, quanto mais profundamente conhecermos o consumidor, mais preparados estaremos para atender seus desejos e necessidades e “superar” a concorrência.
E a pesquisa etnográfica é uma ferramenta importante nesse processo.

Marcelo Novazzi é coordenador de projetos da Market Analysis Brasil e especialista em pesquisa qualitativa etnográfica.

Evitando os Erros Comuns em Pesquisas

Este é um bom texto para complementar as lições do capítulo 3 do livro A arte do Planejamento, de Jon Steel, que estamos trabalhando. O autor reflete sobre os erros mais frequentes em pesquisas quantitativas e qualitativas, e dá dicas de como evitar cair no mesmo caminho.
...
Talvez a maior qualidade de um bom marketeiro seja a capacidade de se colocar na pele de seu consumidor. Mesmo que seu produto não seja uma grande inovação, se ele for capaz de pensar como o consumidor, dificilmente fará um grande erro ou desperdiçará dinheiro da empresa.

Entretanto, somente a experiência pessoal não fornece o conhecimento necessário para avaliar com precisão a reação do mercado a novas idéias, conceitos e produtos. O feeling geralmente carrega consigo preconceitos e uma visão pessoal do mercado. É aqui que entra a pesquisa. Ainda vista por muitos como algo muito complicado e caro (o que pode ser verdade, já que certos modelos de mercado chegam a custar dezenas de milhares de dólares), mesmo uma pesquisa simples e barata, mas bem-feita, é muito melhor que não fazer pesquisa alguma.

A dica desta semana procura ajudar os iniciantes a escaparem de alguns erros comuns. Pode parecer brincadeira, mas muitas vezes o marketeiro não consegue definir com exatidão qual é seu problema, que informações deseja conseguir e como a pesquisa pode ajudar. Este é o primeiro passo: uma boa pesquisa só existe com um bom briefing. Outro ponto importante é ter uma hipótese a ser testada, que poderá ser confirmada, negada ou refinada com os dados coletados. Esta hipótese pode ser qualquer um dos fundamentos de um plano de marketing sobre o qual haja dúvidas , como quem é meu consumidor, como ele usa meu produto, qual será a aceitação de meu novo serviço.

Em seguida, a decisão geralmente é escolher entre pesquisa quantitativa ou qualitativa. É importante lembrar que estes dois tipos não são conflitantes, mas complementares. A quali auxilia a entender, perguntando o quê, o porquê e o como; enquanto a quanti ajuda a medir, perguntando quantos, quantas vezes, a que preço.

A pesquisa quali é importante porque consegue muitas vezes descobrir motivações e atitudes inconscientes que definem comportamentos, através de técnicas projetivas. Desta forma, ela vai além das respostas racionalizadas e superficiais, podendo tocar na criatividade do consumidor e gerar compreensão sobre novos usos e conceitos potenciais. Ela pode ser utilizada quando a empresa precisa entender melhor seu mercado, compreender comportamentos, motivações e atitudes dos consumidores, buscar direcionamento no desenvolvimento de produtos ou gerar idéias para novos conceitos.

Já a pesquisa quantitativa consegue colocar conceitos em números: qual a porcentagem dos consumidores que prefere nosso produto ao concorrente, é um exemplo. O melhor uso deste tipo de pesquisa é a quantificação das respostas ou caminhos encontrados na pesquisa quali, através de questionários cujas respostas podem ser analisadas estatisticamente se tiverem amostras adequadas. Como a interação com o consumidor é menor na pesquisa quanti, é importante que o questionário não seja longo demais, que as perguntas sejam claras, sem espaço para ambiguidade, e principalmente que elas não direcionem a resposta.

Um erro comum que deve ser evitado é que no meio do processo, após a definição da hipótese e das ações gerenciais a a serem tomadas com os resultados da pesquisa, inventa-se de aproveitar a pesquisa para se colocar mais umas perguntinhas no questionário, ou chama-se a moderadora para extrair mais umas informações do grupo, e acaba-se com um resultado confuso e disperso. Frequentemente, perde-se o objetivo e não se faz nada com o relatório de resultados. Lembre-se: pesquisa só é feita para ser seguida por ação.

Finalmente, antes de iniciar um projeto de pesquisa, lembre-se que você pode conseguir praticamente de graça uma quantidade imensa de informação através de dados secundários, seja em estatísticas demográficas, estudos científicos, pesquisas públicas de opinião e até websites da mídia ou mesmo da concorrência. É impressionante a quantidade de informação que pode ser conseguida nos press-releases de seu concorrente.

Hoje também estão disponíveis na Internet sites como o www.zoomerang.com onde é possível se construir rapidamente questionários e enviá-los como um link diretamente para os endereços de e-mail de seu público. O respondente acessa o site e suas respostas são automaticamente tabuladas e apresentadas como gráficos e tabelas. Até 100 questionários respondidos, o uso é gratuito. Dependendo do ânimo do seus consumidores, você pode ter seus resultados em dois ou três dias. Nada como a tecnologia...

Por Marcos Dutra - Editor Pensando Marketing

domingo, agosto 26

Enfim, publicitário. Será?

Então você quer ser publicitário meu filho?
Quero sim papai.
E o que sua mãe acha disso?
Ela me disse pra conversar com você.
Mas meu filho, você já pensou em fazer direito?

Você não sabia o que ia fazer na época do vestibular. O fim do ano foi chegando e junto dele a hora de decidir. Depois de ouvir (sem nunca ter pedido), vários conselhos de tios, tias, primos e de uma parte da família que você nunca tinha ouvido falar você finalmente se decidiu: Ia fazer Publicidade. Novamente a família se reúne. Todos te olham como que querendo saber alguma coisa. De repente aparece aquele tio que fala alto e toma conta do churrasco de domingo com a pergunta: Afinal de contas, o que faz um publicitário?

Bem, você explica que um publicitário faz comerciais. Ah, então você vai conhecer mulheres, viajar por todo o Brasil gravando comerciais em praias, montanhas e hotéis chiques. Com esperança você diz que sim.

No meio do curso você descobre que um publicitário não faz só comerciais. Ele também faz atendimento, planejamento. E por último, a grande surpresa, um publicitário também pode ser mídia.

Mas você não quer nem saber. Você bate o pé e diz que quer fazer comerciais. Seu negócio é ser um redator. Você sai da faculdade e descobre que tem empregos para mídias, planejamento e atendimento. E redação? Bem, redação tem muita gente procurando. Serve arte finalista?

Com muito custo você consegue virar redator de uma pequena agência. É a sua grande oportunidade. Hora de fazer comerciais. E chega folders. Catálogos. Folhetos. E nada de comerciais. Mas um dia você tem a sua chance. O cliente quer um comercial. E você se dedica. Noites acordado. Sua família nem consegue mais te ver em casa. E de repente a grande idéia.
Com orgulho você leva a idéia até o diretor de criação. Ele leva a sua idéia ao cliente. Um grande presidente de uma grande empresa. Ele muda o texto. Transforma a idéia. Altera tudo. O diretor leva até você as sugestões do cliente (e olha só você aprendendo mais uma, na publicidade a ordem do cliente é chamada de sugestões). Ele cortou as praias, as montanhas e o hotel chique. Vamos gravar na empresa mesmo. A 3 quadras da agência.
Conformado você pergunta: Eu estudei 4 anos, fiz cursos e mais cursos. E esse cara, o que fez? Direito. Responde o atendimento. É, talvez seu pai não estivesse errado.
Por Rodrigo Almeida, Redator

sexta-feira, agosto 3

As Principais Tendências da Propaganda


No final de 2002, a revista About publicou, para marcar sua edição de número 700, uma matéria especial com uma ampla análise sobre as tendências capitais da propaganda para os primeiros anos do século XXI.

Preparada por Rafael Sampaio, a análise contou com a colaboração de sete grandes líderes da propaganda brasileira: Silvana Cassol, diretora de marketing de O Boticário e vice-presidente da ABA; Jens Olesen, presidente do Grupo McCann-Erickson no Brasil, América Latina e Caribe; Luiz Lara, sócio-presidente da Lew Lara e presidente da ABAP-SP; Ricardo Guimarães, presidente da Thymus; Washington Olivetto, presidente e diretor de criação da W/Brasil; Daniel Barbará, diretor comercial da DPZ; e Octavio Florisbal, superintendente comercial da Rede Globo de Televisão.

Foi feita uma análise do que deverá acontecer de mais importante nas áreas de anunciantes, negócio das agências, atendimento, planejamento, criação, mídia e veículos.

A seguir, apresentamos as sete tendências capitais para o conjunto da atividade publicitária e para cada uma de suas grandes áreas.

Tendências gerais para toda a atividade

1. Crescimento do uso da comunicação, com "reinvenção" de algumas categorias. Verbas maiores e mais anunciantes, mas com perfil de distribuição diferente. Menor volume de GRPs. Necessidade de desenvolver novos formatos.

2. Comunicação vista como parte do processo empresarial, e não apenas da atividade de marketing. Branding como chave para escapar da comoditização. Pensar na guerra e na guerrilha.

3. Modelos de agências múltiplos, desde que simples, rápidos, integrados e eficazes. Agências precisam oferecer pensamento total em comunicação e entrega integrada/coordenada. Agências devem cuidar da entrega pela própria agência e pelo network de executores. Agências podem caminhar para a consultoria de comunicação/branding e a co-gestão das marcas. Mas é necessário, acima de tudo, manter o foco.

4. Anunciantes e agências precisam desenvolver a "experiência da marca" de forma integrada - bem como a capacidade de integrar todas as atividades de comunicação. Objetivo é colocar a vida real na propaganda e a propaganda na vida real.

5. Para os profissionais, compreender a dinâmica do mercado, saber integrar processos e garantir resultados. Desenvolver visão antropológica, senso de inovação/experimentação e abordagem de arte. Ampliar limites da inspiração e da interferência da comunicação. Trabalhar para que a propaganda possa "perder a autoria".

6. Formar definitivamente o "time da agência", incluindo atendimento/planejamento, criação e mídia, com ênfase na tarefa criativa. Lutar para restaurar a confiança da cadeia cliente/agência/produtora/fornecedor. Agências devem antecipar demandas e necessidades dos clientes. Melhor e mais profundo relacionamento entre agência e cliente.

7. Mudanças importantes na estrutura do setor de veículos. Crescimento dos networks e fortalecimento dos grupos regionais. Probabilidade de importantes mudanças no relacionamento comercial cliente/agência/veículo.


Tendências capitais sob o foco dos anunciantes

1. Crescimento do uso da comunicação, com "reinvenção" de algumas categorias.
2. Verbas maiores e mais anunciantes, mas com perfil de distribuição diferente.
3. Comunicação vista como parte do processo empresarial e não apenas da atividade de marketing.
4. Foco na criação de alternativas. Maior inovação virá dos médios e pequenos.
5. Mais do que atingir os consumidores, ênfase em "tocar" e envolver os clientes.
6. Melhor e mais profundo relacionamento entre agência e cliente.
7. Executivo de anunciante deve liderar tarefa de integração e coordenação da comunicação, mas com grande suporte da agência.


Tendências capitais no negócio de agência

1. Crescimento do mercado em aceleração. Comunicação de marketing mais que a propaganda.
2. Foco, foco, foco.
3. Modelos múltiplos, desde que simples, rápidos, integrados e eficazes.
4. Oferecer pensamento total em comunicação e entrega integrada/coordenada.
5. Performance vai influir na remuneração.
6. Capacidade de trafegar do global ao local.
7. Buscar novos clientes todos os dias.


Tendências capitais para o atendimento

1. Caminhar para a consultoria de comunicação/branding e a co-gestão das marcas.
2. Múltiplos modelos e formatos.
3. Desenvolver a "experiência da marca" de forma integrada.
4. Cuidar da entrega pela agência e network de executores.
5. Antecipar demandas e necessidades dos clientes.
6. Líder deve olhar mais a estratégia e menos o job.
7. Líder deve ser "clínico geral" e capaz de gerir/fazer o planejamento.


Tendências capitais para o planejamento

1. Capacidade de integrar as atividades de comunicação e de desenvolver a "experiência da marca".
2. Múltiplos modelos e formatos.
3. Branding como chave para escapar da comoditização.
4. Compreender a dinâmica do mercado, saber integrar processos e garantir resultados.
5. Desenvolver visão antropológica, senso de inovação/experimentação e abordagem de arte.
6. Incorporar experiências européias mais abrangentes, mais diversificadas e menos mecanicistas.
7. Executivo ou de staff, o planejador deve ser líder e visionário mais do que técnico.


Tendências capitais para a criação

1. Buscar maior envolvimento com o planejamento.
2. Trabalhar para que a propaganda possa "perder a autoria" — da agência e do profissional.
3. Entrar definitivamente para o "time da agência".
4. Restaurar a confiança da cadeia cliente/agência/produtora/fornecedor.
5. Pensar na guerra e na guerrilha.
6. Ampliar limites da inspiração e da interferência de seu trabalho.
7. Colocar a vida real na propaganda e a propaganda na vida real.


Tendências capitais para a mídia

1. Concentração nos quatro pilares clássicos: TV, rádio, jornal e revista.
2. Menor volume de GRPs.
3. Necessidade de desenvolver novos formatos.
4. Probabilidade de importantes mudanças no relacionamento comercial cliente/agência/veículo.
5. Profissionais de mídia mais bem informados, com maior competência técnica e capacidade gerencial.
6. Melhorar competência de planejamento estratégico e negociação.
7. Integração ao time criativo da agência, ao lado do atendimento/planejamento e da criação.


Tendências capitais para os veículos

1. Mudanças importantes na estrutura do setor. Crescimento dos networks e fortalecimento dos grupos regionais.
2. Conteúdo mais diversificado, mais internacional e mais local.
3. Convergência na TV.
4. Maior profissionalização das organizações de veículos, incluindo políticas comerciais mais saudáveis.
5. Probabilidade de importantes mudanças no relacionamento comercial cliente/agência/veículo.
6. Mais e melhores pesquisas — se os anunciantes exigirem.
7. Profissionais das áreas comerciais dos veículos devem ser mais técnicos e conhecer melhor o marketing, a mídia e a pesquisa.

Clube de Criação de São Paulo: Obrigatório


Para quem não conhece, o Clube de Criação de São Paulo, ou CCSP, é a maior entidade brasileira voltada para a criação, com foco nos profissionais. O seu portal CCSPOnline é uma referência obrigatória para todos os alunos, mesmos aqueles que não se interessam por criação.

Com um pouco de tudo, o portal oferece notícias fresquinhas, as novas peças publicitárias do mercado (tv, jornal, revista, internet, promoção, etc), peças dos anuários de criação, artigos, entrevistas e muitos mais.

Vale a pena conferir. Ou melhor, é obrigatório conferir. Acesse www.ccsp.com.br

quinta-feira, julho 26

Entrevista: Nizan Guanaes

Trata-se de uma entrevista um pouco antiga, algo entre 3 ou 4 anos, mas está bem atualizada quanto as suas idéias.

NOSSO NEGÓCIO É IDÉIA

Aos 45 anos, o baiano Nizan Guanaes entrega-se diariamente a uma rotina de quase 12 horas de trabalho com fôlego de estreante. Administrador de empresas formado pela Universidade Federal da Bahia que ganhou fama mundial como publicitário, Guanaes está de volta à propaganda, após uma “quarentena” de dois anos fora da publicidade.

O mais premiado brasileiro na última década e que acaba de ser homenageado, na França, como uma das lendas vivas da propaganda mundial, ele agora se dedica, com a tenacidade que lhe é peculiar, a pôr em prática seu mais novo sonho: a construção de uma rede de agências de publicidade e de serviços de comunicação que opere, em termos de lucratividade, nas mesmas condições das Omnicoms e Interpublics que dominam o mercado mundial.

Batizada Ypy (primeiro, em tupi-guarani), a holding já está a meio caminho da meta traçada para três anos. Preparando-se para a segunda fase do projeto - após a consolidação das agências África, MPM e DM9, a Ypy vai se dedicar à expansão na área de serviços de comunicação -, Nizan Guanaes não titubeia em garantir ao mercado: “O negócio de se comunicar com as pessoas é permanente e extremamente rentável. Além do mais, é o melhor negócio do mundo porque é o meu negócio”.

Em março de 2000, o senhor disse adeus à publicidade. Em março de 2002, anunciou sua volta. O que fez durante o período de afastamento?

Nizan - Quando vendi integralmente minha participação acionária na DM9 para a rede DDB, em março de 2000, fui obrigado a cumprir dois anos de “quarentena”, fora do mercado publicitário, por exigência do grupo. Nesse período, durante o qual fiquei afastado da publicidade, fundei e fui o CEO do provedor iG, que foi a primeira experiência de internet gratuita no Brasil.

Foi uma experiência extremamente enriquecedora tanto pelos aspectos positivos quanto pelos aspectos negativos que experimentei. Pelo lago bom, pude ter o tempo para compreender um novo mundo, o mundo digital, e o impacto que viria a ter na vida das pessoas. O que talvez um publicitário, envolvido no dia-a-dia de seus negócios, não teria tempo para ver. Pelo lado ruim, quando entrei na internet, o setor tinha desmoronado.

O que aconteceu com o iG?

Nizan - Tive de fazer um MBA sangrento, gerindo uma empresa em um setor que enfrentava dificuldades tremendas: a falta de dinheiro e a falta de credibilidade afetavam todo o setor e, mais ainda, a internet grátis. Os futurólogos diziam que o iG ia quebrar. Provamos o contrário. Hoje, é uma empresa líder e saudável.

Terminada a “quarentena”, eu já tinha uma outra visão do mundo empresarial. Afinal, durante dois anos fui anunciante, e a propaganda é bem diferente quando vista pelo ângulo de quem assina o cheque. Assim, aprendido o que tinha de ser aprendido, parti para pôr em prática o sonho que acalentava há anos: o de montar uma rede brasileira de agências de propaganda e serviços de comunicação.

Mas essa volta acabou se dando com a recompra de sua participação própria DM9...

Nizan - O primeiro passo, na verdade, foi a compra da marca MPM, em Nova York, há dois anos. Deixamos a marca em estado embrionário e, quando a “quarentena” estava para acabar, nos preparávamos para lançar a África. Foi quando fomos procurados pela DDB, que vinha tendo problemas de gestão na DM9, e que nos propôs, a mim e ao João Augusto Valente, a volta à DM9. Embora alterasse nosso plano inicial, por outro lado iria dar rapidamente massa crítica à Ypy.

Recompramos uma participação acionária significativa na DM9DDB e João Augusto Valente assumiu a presidência da agência. Rapidamente, não apenas conseguiu dar uma virada completa na DM9, tanto do ponto criativo como pela conquista de novas contas, como acabou sendo eleito Publicitário do Ano. O que é um fato notável para alguém que vem do mercado financeiro.

Quem são os sócios da holding?

Nizan - A holding Ypi tem como sócios, além de mim mesmo, João Augusto Valente, que é também o presidente da DM9DDB, e o grupo Icatu, através de Kati Almeida Braga e João Joaquim de Almeida Braga. Esse grupo era se expandir no futuro , pois a função da Ypy é a de buscar investidores.

Por isso, dizemos que, enquanto as suas agências procuram clientes, a função da Ypy é buscar capital. Com sede no Rio, é dirigida pelo executivo Ricardo Rangel, do Grupo Icatu, e por Lorena Pinheiro Lima, também vinda do mercado financeiro. Nem Ricardo nem Lorena entendem de anúncios. Eles entendem de números. Assim, não querem prêmios, querem resultados . Não querem ganhar contas, querem captar investidores.

O que é exatamente essa rede e em que fase está o projeto?

Nizan - Nossa holding é uma holding de comunicação nos moldes internacionais,como WPP, Omnicom e Interpublic, à qual demos o nome de Ypy palavra em tupi-guarani que significa primeiro e que, para nós, além de nome, também é meta. Mas pode-se escolher em que se quer ser o primeiro.

Queremos ser o número um em performance. Ser o grupo com melhores empresas de comunicação mercadológica, as mais rentáveis para nossos acionistas e as mais eficazes para nossos clientes. Nesta primeira fase, estamos montando uma plataforma de agências com perfis diferentes entre si. Da mesma forma que redes de bancos ou supermercados, por exemplo, fazem, com empresas diversas entre si, atendendo públicos e vontades diferentes.

Quais são essas agências e qual a sua meta inicial ?

Nizan - Para montar nossa plataforma, recompramos uma parte substancial da DM9 e somos os sócios majoritários da agência África, lançada em dezembro passado e que devera faturar mais de R$ 100 milhões neste ano, e da lendária MPM, que acabamos de trazer de volta (em 31 de julho) ao mercado brasileiro. Temos, ainda, uma participação na AgenciaClick, líder no mercado de internet.

A partir dessa plataforma, quando todas essas empresas entrarem em velocidade de cruzeiro e já tivermos comprado mais uma agência, estaremos chegando a um patamar de R$ 1 bilhão de faturamento. Será quando partiremos para a fase dois do projeto.

O que será a fase dois, a compra de mais agências de publicidade?

Nizan - Não. Partiremos para a compra de empresas de serviços de comunicação, atuando em outras disciplinas do marketing, como eventos e promoções, marketing direto, relações públicas, branding, em tudo o que esteja debaixo do guarda-chuva da comunicação. A bem da verdade, já avançamos um pouco nessa fase, pois a AgênciaClick é o primeiro investimento nessa área de serviços publicitários, mas queremos estar em todas as demais áreas.

Afinal, hoje, 50% da verba de marketing já vai para essas empresas. Seria um equívoco estarmos pensando só em publicidade. Queremos, por exemplo, montar uma empresa de geração de conteúdo: para TV, rádio e meios que vão surgir muito em breve. Para onde for necessário. O mundo caminha para estar ávido por conteúdo e, por isso, queremos ter uma empresa de conteúdo.

Como funcionam Ypy e suas agências? O senhor participa da condução dos negócios em todas elas? Ou é o grande garoto-propaganda do grupo Ypy?

Nizan - Na verdade, sou o grande operário-padrão do grupo Ypy. Todo o nosso trabalho será o de separar a Ypy das agências, tanto que, no futuro próximo, não serei presidente da Ypy. Qualquer pessoa que esteja envolvida com a gestão de uma das empresas não estará envolvida com a holding. A holding atua na área financeira. Seu objetivo é captar recursos e gerir a caixa das empresas, ao mesmo tempo em que busca novas oportunidades de investimento, parceiros. Já nós, as agências, buscamos atender clientes. São duas coisas inteiramente distintas entre si.

Neste momento, até mesmo para dar um certo aval às agências, isso ainda está um pouco misturado. Mas a médio prazo, já estarão completamente separadas. A separação, inclusive, será física: a holding deverá ter sede no Rio de Janeiro, próxima ao Icatu, e as agências estarão em São Paulo, a quilômetros de distância da holding, para não haver, inclusive, problemas causados por conflitos de interesse. Hoje, eu não vou a DM9. Eu só fui à MPM em função do seu lançamento. As agências pertencem à holding, e cada uma tem a sua direção. Eu só cuido da África. Guga Valente trata da DM9, Bia Aydar comanda a MPM, e por aí afora. Sequer sei chegar a algumas delas. Jamais estive na AgênciaClick.

Montamos ou compramos as agências, escolhemos os sócios e os executivos adequados a cada perfil e, depois, no mercado, todos competem ente si. Exatamente como acontece com as agências das redes americanas e inglesas no Brasil. Eu saberei que as agências estarão em velocidade de cruzeiro não apenas quando estiverem crescendo, consolidadas, mas quando estiverem reclamando uma das outras, competindo entre si, o que também mostrará ao mercado que são inteiramente dissociadas.

Antes de pertencer à Ypy, a DM9 já existia, com todos os tipos de clientes - grandes empresas privadas, contas públicas, clientes médios. O primeiro tipo é o perfil de clientes da África. Os outros, da MPM. No futuro, haverá algum tipo de repasse de clientes entre as agências do grupo para empresas com perfil mais adequado a determinado tipo de cliente?

Nizan - Não. As empresas concorrem entre si. Não têm vasos comunicadores. Inclusive este é um dos segredos para o projeto estar dando certo. Eu sou executivo na África, e nas outras empresas eu sou acionista. Eu nem sei onde ficam todas elas. Quem quer ter uma holding, tem que ter a disciplina e o desapego de saber que seus outros negócios, para serem outros negócios, têm de florescer por conta própria, ter estilo próprio. Hoje, eu me preocupo com os objetivos da África. Quem tem de se preocupar com os objetivos da holding são o Ricardo Rangel e a Lorena Lima. A Bia com a MPM, o Guga com a DM9...

Mas há outros grupos nacionais na publicidade brasileira...

Nizan - Nossa holding não é comandada por publicitários, somente nossas agências o são. O Comando da Ypy está nas mãos de profissionais vindos do mercado financeiro. No longo termo, essa diferença vai se mostrar crucial. As holdings publicitárias no Brasil nunca funcionaram muito porque não tinham uma parte financeira atuante.

Nos Estados Unidos, o profissional que comanda a holding é um craque vindo do mercado financeiro, não é um publicitário. Essa é uma das grandes vantagens de se ter como parceiro o Grupo Icatu, com uma visão que nos dá não apenas respaldo financeiro, mas, sobretudo, o expertise que nos permite buscar novos investidores. Em bom português, trata-se de cada macaco no seu galho.

E nas demais áreas, onde a Ypy buscará talentos para novas lideranças, um tema que vem cada vez mais sendo levantado na indústria da Comunicação?

Nizan - Nos nossos próprios quadros funcionais e onde eles aparecerem, inclusive em outras áreas. Não existem regras. Mas acho que as pessoas se enganam ao dizer que não surgem pessoas que possam ser novos líderes. Há, sim. Há um conjunto de pessoas, sim, mas elas precisam ter oportunidade, e é preciso que se dê a elas espaço para elas decidirem, crescerem. Acho que o Brasil tem gente muito boa. Hoje em dia, não há espaço para gente que tenta fazer tudo.

Tenho uma personalidade forte, tendo a ver as coisas de uma forma holística dentro da empresa, mas o fato de você estar vendo tudo não significa que você está fazendo tudo. Inclusive, há lugares nesta empresa onde eu não piso, justamente porque no comando deles estão pessoas em quem eu confio. Sempre fui um bom produtor, sempre tive gente boa à minha volta. O segredo é cultivar essas pessoas, fazer com que virem donos, ganhem dinheiro. A meritocracia é fundamental.

Quais os riscos e as vantagens de se investir em publicidade?

Nizan - A publicidade é um investimento excepcional: não necessita de recursos altos, apresenta retorno rápido, não é capital intensive. É o investimento perfeito para um mundo que está com horror de grandes riscos, após ter sofrido tanto com mega-investimentos de retorno lento ou nenhum retorno. O negócio da propaganda até pode mudar. Mas o negócio de se comunicar com as pessoas é permanente, inspirador e extremamente rentável.

Um dos mais conhecidos investidores do mundo, Warren Buffet, acaba de comprar uma parte substancial de ações da rede Omnicom. E ele é publicamente conhecido por sua cautela, por ser alguém que só investe após análises minuciosas e com a certeza de retorno. Ou seja, alguém que não embarca em modismos, conservador, até. Isso demonstra algo que vejo com clareza: temos um grande caminho pela frente.

Temos de pensar nessas empresas não apenas voltadas para a publicidade, mas em uma expansão para tudo o que pode ser feito dentro da Comunicação, tudo o que pode ser criado com o papel, a caneta, o lápis. Nosso negócio não é só publicidade. Nosso negócio é idéia.

Mas o mercado de Comunicação, como um todo, das agências aos veículos, vive uma fase extremamente difícil...

Nizan - O momento pode ser ruim para a venda, mas é excelente para quem quer comprar. Com ativos a preços extremamente atraentes no Brasil. A situação é de perplexidade, exatamente como era quando o Kati de Almeida Braga e eu lançamos a DM9. Em pleno Plano Collor, quando o milhão que tínhamos para o investimento foi todo confiscado. Nem por isso, nem pelo impeachment e pelos novos planos econômicos que seguiriam aquele, deixamos de crescer. Pergunte, por exemplo, ao Grupo Votorantim se nas ultimas décadas ele se paralisou ou interrompeu seu crescimento por causa dos “sobes-e-desces” da economia.

Foi austero, espartano, cuidadoso mas foi em frente. Nossa agência África, lançada há oito meses, está apresentando o mais rápido crescimento da propaganda brasileira, e em um ano difícil ela já é uma das 20 maiores agências do País. Simplesmente porque se posicionou. A MPM, inaugurada em 31 de julho, já tem 20 clientes na carteira.

A DM9 conquistou seis novas contas em oito semanas. Mas não são só as agências do nosso grupo a crescer. Olhe o trabalho do Sergio Amado na Ogilvy, o crescimento da Lew Lara. O movimento é difícil, sim. Mas, numa crise, a maioria das pessoas chora, enquanto alguns vendem lenços. Queremos estar entre os que vendem lenços.

A maioria, porém...

Nizam - O sucesso não é o caminho da maioria. O caminho do sucesso não é óbvio, não são todos que o enxergam. E muitos dos que o enxergam não vão perseverar, desistem.
Em um cenário onde há concentração cada vez maior, com redes comprando redes, como recentemente a WPP fez com a Cordiant, isso não é um limitador de fronteiras para a Ypy? Ou a intenção é ser lucrativo atuando apenas no Brasil, que, a despeito de toda a recessão, ainda é um dos dez maiores mercados de propaganda do mundo, movimentando cerca de R$ 12 bilhões por ano?

Nizan - Somos um grupo brasileiro. E nossa vocação, o nosso foco é o Brasil. Mais especificamente, São Paulo. A maioria das nossas empresas estará concentrada no eixo São Paulo-Rio, com exceção da MPM, que terá filiais em todo o País, em cidades como Porto Alegre, Belo Horizonte e Brasília, além de São Paulo e Rio. Não sei se conseguiremos ser o primeiro. Mas acho que o objetivo do grupo deve ser esse.

Por outro lado, mesmo quando se alcança o primeiro lugar, existem outros primeiros lugares que você precisa ter: pode alcançá-lo não em faturamento, mas em performance, em produto final, em excelência, pode ser o primeiro em pioneirismo, em visão de futuro. Não existe um só primeiro lugar, nem o primeiro lugar é eternamente de ninguém. Por isso, acho sempre bom que uma empresa esteja voltada para a busca da excelência. Vou usar uma frase do Duda Mendonça que acho excelente: “É o medo de ficar para trás o que me empurra para a frente”.

Nos últimos tempos, o senhor vem defendendo aquilo que chama de “alinhamento nacional” na distribuição das contas públicas, o que seria uma espécie de contrapartida para o lucro das multinacionais no Brasil por conta da conquista de clientes multinacionais por decisões tomadas lá fora. O que vem a ser exatamente isso? Não afetaria negativamente a agência na qual a Ypy tem um sócio estrangeiro , a DDB?

Nizan - O que estou propondo é que as agências brasileiras tenham determinados privilégios, não que elas tenham monopólio, Que elas sejam protegidas por determinadas normas no mercado brasileiro, da mesma forma que ocorre com o mercado de laranja, de carne... Os americanos são meus sócios e a DDB é o melhor sócio que se pode desejar, mas isso não significa que todos os sócios estrangeiros sejam extraordinários. Nem significa que, pelo fato de eu ser sócio de uma empresa estrangeira, eu não pense nas coisas que são relevantes para o meu país.
Um exemplo prático: vejo a indústria nacional querendo se defender. Na hora de escolher uma agência, acho que teria também de pensar coerentemente sobre o produto publicitário nacional de qualidade. O capitalismo brasileiro tem de se proteger também. Não há nada de xenofobia. Quero que sejamos, sim, iguais aos americanos, que se protegem e ou seu mercado.

Onde buscará novos parceiros? Esses novos investidores entrarão na Ypy via abertura de capital?

Nizan - No dia em que o Brasil tiver um mercado de capitais mais vigoroso, vamos querer estar nesse mercado de capitais. Para isso, é preciso que a Ypy ganhe tamanho e que o mercado brasileiro de ações se consolide. Nós podemos fazer a Ypy crescer, mas não depende da nossa vontade o amadurecimento do mercado de ações no Brasil. Hoje, trabalhamos com a perspectiva de termos sócios-investidores, nos moldes dos fundos de private equity.

Brasileiros ou estrangeiros?

Nizan - A holding Ypy tem identidade brasileira. Mas pode ter parceiros estratégicos internacionais. O que não queremos é perder o controle. Assisti ao uma palestra de Jorge Paulo Lehmann, que disse algo que me calou fundo, Ela falava da institucionalização das empresas, e é isso o que pretendemos. Claro que queremos que o grupo cresça, e, para que isso ocorra, é preciso capital. Nunca vai se poder ter 100% de uma empresa, pois, dessa maneira ela não se viabiliza.

Porém não quero abrir mão do controle, porque perder o controle significa a perda de uma série de valores igualmente fundamentais para a manutenção do próprio crescimento da empresa e coerência com a nossa visão de país.

Depois de desbravar para o Brasil o mercado publicitário internacional, o senhor tomou para si a missão de desbravar para o investidor o mercado publicitário nacional ?

Nizam - Sempre digo que a propaganda brasileira já conseguiu reconhecimento mundial. Agora, ela precisa conquistar o reconhecimento nacional. Ela tem de ser respeitada aqui dentro. Respeitada como negócio. No mundo inteiro as empresas de comunicação estão em bolsa, têm papel bastante relevante na comunidade internacional.
Que a publicidade brasileira seja respeitada inclusive pelo ponto-de-vista da remuneração, do quanto as pessoas pagam por ela, que compreendam que há agências e agências - as muito boas e as não tão boas - e que os preços são diferentes. Que entendam que, como no mercado automobilístico, os melhores carros não são ao mais baratos. Os melhores celulares não são os mais baratos. O que é muito bom, custa mais.

Fonte: Revista Meeting & Negócios - ano 2 no. 4 - pg. 31, por Suzane Veloso

quarta-feira, julho 25

Cases de Planejamento - Young Creatives

O site do Young Creatives no Brasil disponibiliza, na sua seção Passarela, 3 cases premiados de brasileiros que vale a pena conferir.

:: João Gabriel Fernandes - Case 2006 Caixa :: veja
:: Ana Paula Borges - Case 2005 Sonho de Valsa Mais :: veja
:: Laura Chiavone - Case 2004 Casas Bahia :: veja

Estes cases são muito interessantes, não apenas por seu conteúdo, mas também pela excelente apresentação. Primeiro, porque fogem ao tradicional modelo de planejamento estratégico rígido e chato. Segundo, porque apresenta o case 'contando uma história', o que facilita a compreensão e torna a idéia mais cativante.

As maiores mentiras contadas por planners

Inspiradas no texto de Guy Kawasaki, aqui estão as Maiores Mentiras de Planejadores. Sejamos justos, algumas delas são contadas todos os dias. Confesso, acho que eu mesma já soltei algumas delas e quase morri de rir traduzindo o texto. Tenho certeza que você terá uma mentirinha extra para adicionar ao final da lista. Aliás, conto com isso nos comentários.

1. “Eles sempre dizem isso. Mas eles não querem dizer isso.” - É o que o planner diz ao cliente quando o consumidor fala algo no grupo que pode acabar em um segundo com o caminho em teste.

2. “ Vamos nos apropriar do amarelo”. - Ou do azul ou qualquer coisa. Nunca poderemos ser donos de uma cor. Nem mesmo a Orange é dona do laranja. As bananas usarão amarelo para suas cascas, as listas amarelas não mudarão de nome etc.

3. “Isto não é estatisticamente representativo” - Ninguém sabe exatamente quando a coisa é ou não é. Mas aquele que está com um problema sério num resultado de pesquisa costuma ter absoluta certeza que este resultado é enfraquecido pelo tamanho da amostra.

4. “Achamos que há algo errado com o recrutamento” - Essa afirmação te permite explicar o desastre que acabou de acontecer na discussão em grupo.

5. “Criativos, aqui está o insight bacaninha que tivemos”. - sso geralmente quer dizer Criativos, descobrimos a chave dos nossos problemas e vocês não precisam mais ficar pensando. Então, escreve aí essa coisa que a gente pensou e ta tudo resolvido.

6. “Eu prefiro anotar as minhas impressões direto no meu laptop”. - Na verdade, eu não estou anotando nada, esses são os grupos mais chatos que eu assisti em toda a minha vida. Ainda bem que eu trouxe o computador que tem batalha naval.

Por Laura Chiavone